A vida de Séneca e a reflexão filosófica a que o seu nome está ligado continuam a despertar interesse à escala global. "How Stoical was Seneca?" é o título de um recente artigo de Mary Beard na prestigiada publicação The New York Review of Books:
http://www.nybooks.com/articles/archives/2014/oct/09/how-stoical-was-seneca/
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Lugar da Filosofia hoje
Multiplicam-se atualmente os pronunciamentos sobre o importante lugar e função da Filosofia na formação do ser humano, tendo em vista a sua vida pessoal, a sua atuação no espaço público ou o seu desempenho profissional. Entre inúmeros exemplos de textos que insistem nessa relevância, fiquemos apenas com mais esta proposta de reflexão:
http://blogs.hbr.org/2014/09/how-philosophy-makes-you-a-better-leader/
http://blogs.hbr.org/2014/09/how-philosophy-makes-you-a-better-leader/
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Prémio de Ensaio SPF 2013
Decorreu,
durante o Congresso Português de Filosofia, realizado nos passados dias
5 e 6 de Setembro de 2014, a atribuição do Prémio de Ensaio da Sociedade
Portuguesa de Filosofia, edição de 2013, que versava sobre a pergunta temática
“Quais são os nossos deveres em relação às gerações futuras?”, do âmbito da
filosofia política, que havia sido colocada, previamente, a concurso. O
vencedor do prémio, no valor de três mil e quinhentos euros, foi André Campos
Santos, que apresentou o ensaio “Justiça intergeracional: a temporalidade da
política como resposta à pergunta ‘quais são os nossos deveres em relação às
gerações futuras?’”. Os ensaios concorrentes ao prémio foram avaliados por um
júri composto por Sofia Miguens (Universidade do Porto), presidente do júri, e
por João Rosas (Universidade do Minho), David Alvarez (Universidade de Vigo),
Maria Luísa Potocarrero (Universidade de Coimbra) e Álvaro Balsas (Faculdade de
Filosofia de Braga, Universidade Católica Portuguesa, www.braga.ucp.pt ). Este
ensaio vencedor, à semelhança dos ensaios vencedores das edições dos anos
anteriores, será publicado num dos próximos fascículos da Revista Portuguesa
de Filosofia (www.rpf.pt ),
uma das publicações da Faculdade de Filosofia de Braga (www.publicacoesfacfil.pt
).
2014-2015: FacFil atribui 20 Bolsas para o estudo da Filosofia
A Faculdade de Filosofia atribui 20 Bolsas para o estudo da Filosofia no ano letivo de 2014-2015.
Texto publicado no Jornal Diário do Minho sobre este assunto:
Congresso Português de Filosofia
Teve lugar nos dias 05 e 06 de setembro de 2014 o Congresso Português de Filosofia, organizado pela Sociedade Portuguesa de Filosofia, e realizado na Fundação Calouste Gulbenkian e Universidade Nova de Lisboa.
Da Faculdade de Filosofia, participaram neste Congresso os docentes:
- José Gama: Comunicação "A filosofia da cultura e o pensamento português"; Participação na Mesa Redonda: "O estado da arte da Investigação em Filosofia em Portugal").
- Carlos Morais: Participação na Mesa Redonda: "O estado da arte do ensino universitário da Filosofia em Portugal".
De assinalar, também, a participação do antigo aluno da Faculdade de Filosofia, Domingos Faria, onde apresentou a Comunicação: "Será procedente o argumento de Plantinga contra o naturalismo metafísico?".
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Interrogar Deus na poesia portuguesa contemporânea

A Fundação Cupertino de Miranda (FCM) e a Câmara Municipal de V. N. de Famalicão organizaram, em parceria, o evento "CARMINA 1 – Deus como interrogação na poesia portuguesa", nos dias 11 e 12 de julho, sexta e sábado. Consistiu no Encontro de Poesia, reunindo críticos literários e autores, culminando no lançamento de uma antologia, intitulada Verbo (Deus como interrogação na poesia portuguesa), obra editada pela Assírio & Alvim, e organizada por José Tolentino de Mendonça e Pedro Mexia.
A antologia contém poemas de Vitorino Nemésio, Ruy Cinatti, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Echevarría, José Bento, Ruy Belo, Cristovam Pavia, Pedro Tamen, Armando Silva Carvalho, Carlos Poças Falcão, Adília Lopes e Daniel Faria.
Em concorridas sessões, o público teve a oportunidade de ouvir nomes como Sousa Dias, Alex Villas Boas, Fernando J. B. Martinho, Maria João Reynaud, Rosa Maria Martelo, Maria João Costa, Frederico Lourenço, Jorge Sousa Braga, Rui Lage e Pedro Sobrado; além dos poetas Armando Silva Carvalho, Carlos Poças Falcão, Fernando Echevarría. Fica um breve texto em forma de desafio à reflexão:
“Deus como interrogação, assim se chama a antologia, porque Deus existe, na poesia como na vida, em modo interrogativo, mesmo para quem tem fé. Esta não é uma antologia para crentes ou para não-crentes, é uma antologia de poesia que dá exemplos de um tema, de um motivo, de uma obsessão, exemplos portugueses, numa época que também nos deu Claudel, Eliot, Luzi ou Milosz, poetas com uma questão, com uma pergunta que nunca está respondida.”
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Professora Cristina Beckert: In Memoriam
Foi com
enorme surpresa que tomei conhecimento do falecimento da Professora Cristina
Beckert; eu não queria acreditar! Sabia que estava doente e com limitações em
termos de mobilidade, mas não imaginava que a sua vida chegaria ao fim tão cedo.
Conheci-a na
década de oitenta, num colóquio na Católica, em Lisboa. Foi-me apresentada pelo
Professor Cerqueira Gonçalves, que me pediu para receber na Faculdade, em Braga,
quatro assistentes do Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa, grupo de que faziam parte Cristina Beckert e o marido, Carlos
João Correia. Vinham fazer investigação para as respectivas teses de
doutoramento. Acompanhei-os durante essa sua estadia; foi o primeiro contacto. Em
1993 tive o privilégio de ser seu arguente nas provas públicas de doutoramento,
no dia 14 de Julho. Apresentou um texto excelente, depois publicado em livro, Subjectividade e diacronia no pensamento de Levinas[1].
Como era de esperar, fez umas provas brilhantes, com domínio
perfeito da matéria e com uma cultura filosófica digna de nota. Apresentou-se
tal como era: calma, serena, suave, simples, com um sorriso nos lábios e
respondendo com elegância e acerto. Foi a minha estreia em júris de
doutoramento e não podia ter sido mais auspiciosa.
Mantivemos o
contacto e a convivência deu origem a uma amizade que não esquecerei. Fui bastantes
vezes arguir a teses de mestrado à Faculdade de Letra de Lisboa a cujos júris
pertenci por sua sugestão, e ela veio várias vezes à minha Faculdade também
para arguir a teses. Recebia-me sempre com amizade e delicadeza irrepreensíveis,
informando-me e prevenindo-me dos hábitos da casa. Participei a seu convite num
colóquio que organizou sobre Lévinas, cujas conferências reuniu no livro Lévinas entre
nós[2]; por sua vez a meu convite participou no colóquio de homenagem ao
Professor Roque Cabral com um texto intitulado «Ética e ecologia»[3].
A última vez
que a contactei foi no fim do ano passado. Havia que constituir um júri de umas
provas de doutoramento cuja tese, que eu tinha orientado, era fundamentalmente
em torno da obra de Lévinas. Durante o tempo que acompanhei a elaboração do
trabalho sempre pensei sugerir ao Conselho Científico o nome da Professora Cristina
Beckert para arguente. A tese era excelente e uma arguição da professora,
estava eu convencido, permitiria ao doutorando brilhar e obter sugestões preciosas
para uma última revisão do texto antes da publicação. Quando propus o nome,
avisei logo os responsáveis de que da última vez que tinha contactado com a
Professora, ela me tinha falado da sua saúde, que lhe impunha algumas
limitações em termos de viagens. A pedido do Presidente do Conselho Científico
telefonei-lhe para a sondar. Como sempre, atendeu-me com toda a simpatia, agradeceu
o convite, mas informou-me de que infelizmente o seu estado de saúde não lhe
permitia aceitar; por indicação médica não podia viajar para fora de Lisboa. Respondi-lhe
que tinha imensa pena por ela e pelo doutorando. Por ela, porque as limitações
que a doença lhe impunha deveriam ser muito dolorosas; pelo doutorando, porque
seria muito beneficiado com a arguição dela. Mas não suspeitava de que o fim
estivesse tão próximo.
Curiosa
coincidência: recebi a notícia da morte quando tinha começado a ler o seu livro
titulado Ética[4]. Nele encontramos a autora de corpo inteiro. O livro revela
uma professora informada, cujo texto espelha, com clareza e rigor, uma vasta
bibliografia lida e assimilada, acompanhada de uma reflexão pessoal inteligente
e profunda. O esquema mostra uma especialista em Ética atenta à actualidade, para
quem as éticas aplicadas não são éticas menores, antes pelo contrário. A
segunda parte do livro é sobre Bioética e Ética Ambiental, áreas que frequentou
com grande competência.
Com o seu
desaparecimento perde o Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa uma professora e investigadora de eleição, competente e
eficaz no seu ensino, de quem havia ainda muito a esperar (leiam-se os
depoimentos de vários alunos em http://blog.domingosfaria.net/2014/06/memoria-cristina-beckert-1956-2014.html).
Os colegas e amigos perdem uma companheira de jornada com que podiam contar e
que permanecerá nas suas memórias.
José
Henrique Silveira de Brito
[1] Lisboa: Centro de
Filosofia da Universidade de Lisboa, 1998.
[2] Lisboa: Centro de
Filosofia da Universidade de Lisboa, 2006.
[3] BRITO, José Henrique
Silveira de (Coord.) - Temas fundamentais de ética. Actas do Colóquio de
Homenagem ao Prof. P. Roque Cabral, S.J. Braga: Publicações da Faculdade de
Filosofia UCP, 2001, pp. 73-88.
[4] Lisboa: Centro de
Filosofia Universidade de Lisboa, 2013.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Filosofia, ciências humanas, letras: que empregos?
É
sobejamente conhecida a dificuldade do acesso ao mercado de trabalho dos
licenciados nas áreas das humanidades, em geral, sendo particularmente sentida pelos formados em Filosofia.
A
orientação que durante décadas se imprimiu às licenciaturas em Filosofia, em
Portugal, ligando-as quase exclusivamente ao desempenho da actividade docente
nos estabelecimentos de ensino secundário e superior, em nada ajudou ao
reconhecimento social e profissional da habilitação em Filosofia.
Ora,
a Filosofia confere aos licenciados desta área potencialidades, saberes,
competências de grande aplicação em muitos domínios da realidade e em diversos
sectores laborais. Só para referir alguns: no campo da política, no mundo empresarial, nas indústrias criativas, na gestão dos recursos humanos, nas áreas da criação cultural e literária…
A capacidade de adaptação dos “filósofos”, a sua criatividade e plasticidade mental,
de interpretar e de pensar com rigor, aliadas à natural curiosidade cultural e
interdisciplinar fazem com que a sua presença e o seu desempenho sejam frequentemente muito
valorizados, qualquer que seja o ramo da actividade em que se encontrem a trabalhar. Só as mentalidades fechadas
e deturpadas por uma incorrecta noção de “especialização profissional” continuam
a achar que a Filosofia está “fora do mundo” ou que é “coisa de gente despistada”.
Precisamente,
no encalço de operar a mudança destas mentalidades, Isabel Lasala e Laura Carratalá Díez, da Faculdade
de Filosofia e Letras da Universidade de Saragoça, publicaram um interessante
estudo que mantém toda a actualidade, intitulado Nuevas perspectivas profesionales
de las Ciencias Humanas.
A iniciativa destas autoras é um bom contributo e exemplo a seguir no complexo processo de reabilitação e revalorização das formações em Filosofia e mais em geral nas Ciências Humanas.
A iniciativa destas autoras é um bom contributo e exemplo a seguir no complexo processo de reabilitação e revalorização das formações em Filosofia e mais em geral nas Ciências Humanas.
domingo, 6 de julho de 2014
A Filosofia contra a crise
A crise em que estamos mergulhados vai gerando consequências demolidoras
nas pessoas, nas comunidades, nas instituições... visíveis um pouco por toda a
parte por onde lancemos o nosso olhar. E se a magnitude do problema implica a
convocação de todos os saberes para prover soluções com alguma eficácia, é
também chegada a hora de envolver as humanidades, as artes e filosofia. Sim, os
efeitos da crise, para não dizer mesmo as suas causas mais profundas,
também se combatem com filosofia, isto é, com pensamento, reflexão, atitude
crítica... e uma boa dose de humor inteligente.
Por falar em crises, conta-se que já o vetusto Tales de Mileto havia
vencido um período de penúria económica do seu tempo antecipando-se a ele.
Diz-se que o saber da filosofia lhe proporcionou uma vida abastada. Melhor do
que qualquer economista...
Um serviço de consultas filosóficas surgido em Itália (Corigliano d’Otrano, Puglia) tenta ajudar a combater os
efeitos da crise, mostrando essa dimensão prática
da filosofia.Cf. vídeo-notícia da AFPTV
Subscrever:
Mensagens (Atom)




